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ERASMO CARLOS (81 anos)

ID: h1756 Categoria: Cantores/Músicos Date : Monday 21st November 2022 10:00:00 pm Tipo : Image / Photo

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Resenha

Erasmo Esteves                       

 

(Rio de Janeiro/RJ, 05 de junho de 1941)                                          

(Rio de Janeiro/RJ, 31 de outubro de 2022).

 

Erasmo Carlos OMC, foi um cantor, compositor, ator, músico, multi-instrumentista e escritor brasileiro. Um dos pioneiros do rock brasileiro, nos anos 60,  Erasmo Carlos fez parceria com o cantor e compositor Roberto Carlos, compondo várias músicas juntos, que gravavam em seus discos em carreira solo. Erasmo Carlos nasceu no bairro da Tijuca na Zona Norte do Rio de Janeiro, de mãe solteira, vindo a conhecer seu pai, somente aos vinte e três anos de idade. Erasmo conhecia Sebastião Rodrigues Maia – que mais tarde ficaria conhecido como Tim Maia – desde a infância. Entretanto, a amizade só viria na adolescência por conta do gosto pelo rock and roll. Tim Maia montou A banda “The Sputniks”, junto com Arlênio Lívio, Wellington Oliveira e Roberto Carlos. Após uma briga entre Tim e Roberto, o grupo foi desfeito. Wellington desistiu da carreira musical e o único remanescente era Arlênio, que no ano seguinte resolveu chamar Erasmo e outros amigos da Tijuca, Edson Trindade (que tocou violão no grupo “Tijucanos do Ritmo”, em que Tim Maia tocava bateria) e José Roberto, conhecido como "China" para formarem o grupo vocal "The Boys of Rock". Por sugestão de Carlos Imperial o grupo passou a se chamar “The Snakes”. O grupo acompanhava tanto Roberto quanto Tim Maia em seus respectivos shows. Roberto precisava da letra para a canção “Hound Dog”, sucesso na voz de Elvis Presley e Arlênio Lívio apresentou Erasmo a Roberto, afirmando que Erasmo teria a letra, pois era um grande fã de Elvis. Roberto descobriu outras afinidades com Erasmo. Além de Elvis, ambos gostavam de Bob Nelson, James Dean, Marlon Brando, Marilyn Monroe, e torciam para o Vasco da Gama. Quando fazia parte do “The Snakes”, Tim Maia ensinou Erasmo a tocar violão. O “The Snakes” chegou a acompanhar o cantor Cauby Peixoto em sua inusitada passagem pelo rock, na gravação de "Rock and Roll em Copacabana" e no filme "Minha Sogra é da Polícia" em que o cantor interpreta a canção "That's Rock" composta por Imperial Nos tempos da juventude também conheceu, Jorge Ben Jor,na época conhecido como Babulina e Wilson Simonal, que também foi agenciado por Carlos Imperial. Erasmo resolveu adotar o nome Carlos no nome artístico em homenagem ao Roberto Carlos e a Carlos Imperial e com esse nome lançou o compacto que seria de grande sucesso, com a música “O Terror dos Namorados”, com a novidade do Órgão Hammond de Lafayette, que também era seu amigo e da “Turma do Bar Divino” na Tijuca. Com a chegada da bossa nova, Erasmo também se deixou influenciar pelo gênero. Roberto chegou a se tornar crooner cantando bossa nova, bastante influenciado por João Gilberto. Nesse período, Erasmo compôs "Maria e o Samba", cantado por Roberto na boate onde era crooner. Antes de seguir carreira solo, Erasmo fez parte da banda “Renato e Seus Blue Caps”. Erasmo participou efetivamente junto com Roberto Carlos e com Wanderléa do programa “Jovem Guarda”, onde tinha o apelido de “Tremendão”, tentando se diferenciar de Elvis, por mais que este fosse seu ídolo. Seus maiores sucessos como cantor nessa fase foram "Gatinha Manhosa" e "Festa de Arromba". Erasmo compôs com Roberto o sambalanço "Toque o Balanço", gravado por Elza Soares. Erasmo, Eduardo Araújo e Carlos Imperial foram acusados de corrupção de menores, sendo contudo inocentados. Com o término do programa, entrou em crise, mas conseguiu se recuperar com a ajuda de seu parceiro Roberto Carlos e de sua esposa, Narinha. Nessa fase de transição fez sucesso cantando "Sentado à Beira do Caminho" e "Coqueiro Verde", primeiro samba-rock gravado por Erasmo. Roberto e Erasmo eram criticados por cantar e compor rock e de serem americanizados. Erasmo chegou a dividir uma apartamento no bairro do Brooklin em São Paulo com Jorge Ben Jor, apontado como um dos criadores do estilo. O disco “Erasmo Carlos e os Tremendões” já é um trabalho transitório na carreira do artista. O LP traz interpretações muito peculiares de canções de compositores da MPB, como "Saudosismo", de Caetano Veloso e "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, lançada no filme “Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa”, em que Erasmo atua com Roberto e Wanderléa) e "Teletema" (canção originalmente interpretada por Regininha, sucesso por ter sido tema da novela “Véu de Noiva”, da Rede Globo), de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, além da primeira gravação de "Sentado à Beira do Caminho". Erasmo assina com a “Polydor”. A primeira metade da década mostra o “Tremendão” num estilo bem diferente da “Jovem Guarda”. Influenciado pela cultura hippie e pelo soul e lança “Carlos, Erasmo “em 1971. O disco, que abre com "De Noite na Cama", escrita por Caetano Veloso especialmente para ele, traz um polêmica ode à maconha. O existencialismo prossegue em seus outros LPs, “Sonhos e Memórias”, “Projeto Salva Terra” e “Banda dos Contentes”. "Sou uma Criança, Não Entendo Nada", "Cachaça Mecânica" e "Filho Único" são algumas canções de destaque no período. “Pelas Esquinas de Ipanema” inclui uma impactante canção que denuncia o descaso do homem com a ecologia "Panorama Ecológico". Erasmo participou dos filmes “Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa”, “Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora” (Pedro Navalha) de Roberto Farias e “Os Machões” (Teleco),  dirigido por Reginaldo Faria, que também atuou no filme e rendeu a Erasmo o “Troféu APCA” como melhor coadjuvante masculino, “O Cavalinho Azul” (Cowboy), “Paraíso Perdido” (José) e “Modo Avião” (Germano).  Erasmo Carlos aparece em show ao vivo no documentário “Ritmo Alucinante”, registro do festival de rock “Hollywood Rock”, realizado no Rio de Janeiro. Erasmo Carlos começa os anos 80 com um projeto ambicioso. “Erasmo Convida” é um pioneiro projeto no Brasil. Foram doze canções interpretadas em dueto com artistas como Nara Leão, Maria Bethânia, Gal Costa, Wanderléa, “A Cor do Som”, “As Frenéticas”, Gilberto Gil, Rita Lee, Tim Maia, Jorge Ben e Caetano Veloso. A faixa de abertura do álbum foi a que teve maior destaque nas rádios: a regravação de "Sentado à Beira do Caminho", com a participação do parceiro Roberto Carlos nos vocais. O LP “Mulher” tem uma grande repercussão com as canções "Mulher (Sexo Frágil)" (escrita com sua mulher, Narinha), "Pega na Mentira" e "Feminino Coração de Deus" (de Sérgio Sampaio). O sucesso na mídia, que continuou com “Amar Pra Viver ou Morrer de Amor”, trouxe uma cobrança para Erasmo: assim como o parceiro Roberto Carlos (no auge do sucesso), ele deveria lançar um trabalho inédito todos os anos. "Lentinha, Para Tocar no Rádio", como disse o cantor ao relembrar seus discos na época. Embora seja a década com mais lançamentos de trabalhos novos, Erasmo tem algumas ressalvas sobre os seus discos a partir da segunda metade da década de 80, “Buraco Negro”, “Erasmo Carlos”, “Abra Seus Olhos”  e “Apesar do Tempo Claro...”. O disco seria seu  último na Polydor (selo da “Polygram”, mais tarde “Universal Music”). Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura, cantou, ainda que numa participação especial diminuta, no coro da versão brasileira de "We Are the World", o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África, ou USA for Africa. O projeto “Nordeste Já “ abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções "Chega de Mágoa" e "Seca d' Água". Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi, no entanto, criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro. Erasmo Carlos ainda faria o álbum ao vivo “Sou Uma Criança”, com participações de Léo Jaime e dos grupos “Kid Abelha e João Penca e Seus Miquinhos Amestrados” e lançado pela pequena gravadora “SBK”. Nos anos 90, o trabalho de Erasmo apareceu de forma bissexta na canção. Além de sempre assinar com Roberto Carlos as canções feitas para seus discos anuais, ele lançou dois discos. “Homem de Rua”, lançado pela “Sony Music” e chegou a ter repercussão com a faixa-título, que fez parte da trilha da telenovela “De Corpo e Alma”, mas a canção era tema do personagem Bira de Guilherme de Pádua, que, ao lado da esposa Paula Thomaz, assassinou a atriz Daniella Perez, filha da autora da novela Glória Perez. Por conta desse acontecimento, Erasmo em respeito a atriz, nunca mais cantou essa música. Outra gravação de destaque foi "A Carta", na qual Erasmo cantou com Renato Russo. Erasmo Carlos voltou a ter destaque nas comemorações dos trinta anos da “Jovem Guarda”, que rendeu discos e shows. Erasmo gravou o álbum “É Preciso Saber Viver”, com regravações de canções de seu repertório. O destaque foi para "Do Fundo do Meu Coração", dueto com Adriana Calcanhotto. Em 26 de dezembro de 1995, sua ex-esposa Sandra Sayonara Saião Lobato Esteves, a Narinha morreu de parada cardiorrespiratória, aos quarenta e nove anos, depois de ingerir cianeto. Narinha tinha uma ponte de safena e havia tentado o suicídio duas vezes. A primeira, com um tiro, e outra, ao ingerir uma alta dose de tranquilizantes. Narinha era paisagista e morava sozinha num apartamento em São Conrado, no Rio de Janeiro. O casal estava divorciado havia quatro anos, depois de um casamento de treze. Somente em 2001, Erasmo voltaria a lançar um disco novo. “Pra Falar de Amor” traz interpretações dele para canções apenas suas, além de canções de Kiko Zambianchi e Marcelo Camelo. O destaque é "Mais um na Multidão", dueto com Marisa Monte e de autoria de Erasmo Carlos, Marisa Monte e Carlinhos Brown. No ano seguinte, Erasmo Carlos lançou seu primeiro DVD ao vivo, além de um CD duplo. No início de 2004, Erasmo Carlos lançou seu trabalho mais autoral, “Santa Música”, com doze canções de sua autoria apenas. Além da faixa-título, destaca-se a faixa "Tim", feita em homenagem a Tim Maia. Em 5 de fevereiro de 2004, sua mãe Maria Diva Esteves faleceu aos oitenta e três anos devido a complicações de diabetes e isquemia. Erasmo novamente lançou um disco no qual recebe convidados. “Erasmo Convida, Volume II”apresenta novos encontros musicais em que Erasmo interpreta parcerias dele com Roberto, Adriana Calcanhotto, Lulu Santos, Simone, Marisa Monte, Milton Nascimento e as bandas “Skank” e “Los Hermanos”. A faixa de maior destaque nas rádios é "Olha", cantada com Chico Buarque e tema da novela das 21 horas, “Paraíso Tropical”, da Rede Globo. Erasmo compôs a faixa de abertura de “SóNós”, o segundo disco-solo de Paula Toller. No em que completou sessenta e oito anos, Erasmo lançou, pela sua gravadora “Coqueiro Verde”, o CD “Rock 'n' Roll”, uma homenagem ao gênero que mais o influenciou, com doze composições próprias, sendo sete em parceria: Nando Reis (em "Um Beijo é um Tiro" e "Mar Vermelho"), Nelson Motta (em "Chuva Ácida" e "Noturno Carioca"), Chico Amaral (em "Noite Perfeita" e "A Guitarra é Uma Mulher") e Liminha e Patrícia Travassos (em "Celebridade"). Destaque também para "Olhar de Mangá", na qual Erasmo cita nomes de cinqüenta e duas personalidades femininas (reais ou fictícias). A canção é inspirada nas expressões faciais usadas nos quadrinhos japoneses (os chamados mangás). No mesmo ano, Erasmo Carlos publicou a autobiografia “Minha Fama de Mau” publicada pela “Editora Objetiva”. O livro seria adaptado em um filme homônimo, com Erasmo interpretado por Chay Suede. Em 2010, Erasmo compôs em parceira com Eduardo Lages e Paulo Sérgio Valle um samba enredo para a “GRES Beija-Flor”, que anunciou um enredo sobre Roberto Carlos para 2011, porém, o samba composto por Erasmo não passou nas eliminatórias. A canção escolhida foi "A Simplicidade de um Rei", que tem como um dos co-autores, JR Beija-Flor, filho do intérprete da Escola, Neguinho da Beija-Flor. Erasmo lançou um novo disco intitulado “Sexo”. Em 2013 a faixa "Além do Horizonte" foi tema da novela homônima da Rede Globo. Em 2014, é lançado “Gigante Gentil”, seu terceiro disco consecutivo só com músicas inéditas. O disco venceu o “Grammy Latino” de “Melhor Álbum de Rock Brasileiro”.[ Em 14 de maio de 2014, seu filho Alexandre Pessoal, também cantor e compositor, morreu aos quarenta anos de idade, vítima de morte cerebral causada por um acidente de moto em 7 de maio. Alexandre ficou em coma induzido, porém não resistiu ao tratamento e faleceu. Em março de 2015, o deputado federal Tiririca foi condenado a pagar uma indenização a Erasmo e Roberto Carlos por parodiar a música “O Portão” nas eleições de 2014. Em junho do mesmo ano, Erasmo lançou o DVD “Meus Lados B”, só com músicas "lado B" de seu repertório. No dia 29 de agosto de 2018, Erasmo foi indicado ao “Grammy Latino” ao “Prêmio Excelência Musical da Academia Latina de Gravação”. Em 2018, em “Four Seasons Hotel” de Las Vegas, Erasmo Carlos foi homenageado e então recebeu o prêmio, insigne de "à excelência musical". Erasmo Carlos ganhou também o prêmio “UBC” pela "União Brasileira dos Compositores", como o compositor brasileiro do an". Foi feita também uma homenagem em forma de documentário, em que vários artistas atuais e clássicos compareceram, como Gilberto Gil, Ludmilla, entre outros. Seu álbum “Amor É Isso” foi eleito o décimo melhor disco brasileiro de 2018 pela revista “Rolling Stone Brasil” e um dos vinte e cinco melhores álbuns brasileiros do primeiro semestre pela “Associação Paulista de Críticos de Arte”. Em dezembro de 2019, Erasmo Carlos lançou o EP “Quem Foi Que Disse Que Eu Não Faço Samba...”, dedicado a canções de samba, sambalanço e samba rock compostas ao longo de sua carreira.  Em 2020, Erasmo Carlos assina contrato com a Netflix, como ator protagonista no longa-metragem Modo Avião, juntamente com Larissa Manoela. Em fevereiro de 2021 lança o álbum “O Futuro Pertence à... Jovem Guarda” com oito canções dos anos 60. Erasmo Carlos namorou a atriz Betty Faria e teve três filhos com Narinha, Gil Eduardo, Leonardo e Carlos Alexandre (morto aos 40 anos num acidente de moto). Erasmo Carlos havia vencido um câncer de fígado, depois de uma luta silenciosa de quatro anos, havia superado também a COVID-19. Erasmo Carlos sofria de síndrome ediomigênica (excesso de líquido nos tecidos). No começo do mês em que morreu, Erasmo Carlos foi internado para tratar sua síndrome e sua morte chegou a ser anunciada e depois desmentida. Erasmo Carlos recebeu alta, mas mais alguns dias se passaram eo cantor  teve que ser internado as pressas por causa dos mesmos problemas, mas acabou não resistindo e morreu em decorrência de uma embolia, consequência de edema pulmonar .

 

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